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domingo, 9 de janeiro de 2011

Por que a mídia odeia Lula

Uma revolução no modelo de comunicação oficial teve lugar durante os últimos oito anos, no âmbito federal. De profundas conseqüências tanto para a manutenção, capilarizada, das pontes de comunicação do governo com a sociedade quanto para a resistência contra os ataques incessantes da imprensa corporativa, tais mudanças foram propositadamente ocultadas do grande público por parte da mídia. Pois conhecê-las significa se dar conta de razões objetivas para o ódio que esta alimenta pelo lulopetismo.


Radiografia da desconcentração
Entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010, o número de veículos beneficiários de publicidade federal passou, segundo dados oficiais da Secom, de um total de 499 para 6.835 – um aumento de mais de 1.200%.

No início do governo Lula, as verbas publicitárias federais espraiavam-se por 270 rádios, a maioria pertencente a políticos aliados e/ou localizada em capitais e cidades médias. Hoje são 2.301 emissoras, a maioria de cidades pequenas, muitas de grotões remotos.

No que concerne aos jornais, apenas 179 eram irrigados por tais verbas quando o governo FHC chegou ao fim; agora elas beneficiam 1.888 veículos – ou seja, um número mais de dez vezes maior.


Pulverização e pluralismo
Não é preciso ser especialista em comunicação para perceber que essa diversificação é intrinsecamente positiva, pois inclusiva e desconcentradora, deixando de priorizar quase exclusivamente os grandes grupos – como a publicidade oficial historicamente sempre fez - para também beneficiar jornais e rádios de médio e pequeno porte.

Mas os grandes grupos de comunicação, naturalmente, perdem muito em conseqüência dessa nova política de marketing – tanto em termos materiais quanto no que se refere a seu poder de influência e coação. A Rede Globo, por exemplo, detinha quase 90% da verba publicitária federal até 2002, porcentagem que hoje caiu para menos da metade.


A reação
Os grandes grupos de mídia não assistiram calados à perda de capital e poder. Sua reação foi, em primeiro lugar, mobilizar seus assim chamados jornalistas para que fabricassem factóide atrás de factóide – alguns dos quais forjados em conluio com figuras da oposição -, os quais seriam reverberados em cadeia, nas colunas de seus jornais e de suas emissoras de rádio e de TV. Cansamos de ver esse filme se repetir entre 2003 e o presente.

Em segundo lugar, construíram ou intensificaram alianças entre si, de modo a se fortalecerem. Decorre daí o alinhamento entre a encarnação neocon da Veja e a outrora soi disant independente Folha de S. Paulo e a criação do Instituto Millenium – que ora intensifica sua publicidade na internet -, reunindo “personalidades”, jornalistas e o baronato midiático em torno de uma oposição de viés golpista a Lula (e agora a Dilma).

Se o Brasil tivesse uma imprensa de verdade, tais fatos seriam do conhecimento de todos e, dada a importância do setor de comunicações numa democracia, estariam no centro das discussões públicas, no lugar de factóides que constrangem pela irrelevância.


Provas materiais
É fundamental que as informações elencadas acima sejam divulgadas, que circulem entre diferentes setores da sociedade. Enquanto a mera crítica à mídia, mesmo se embasada, tende a eventualmente parecer aos leigos carregada de partidarismo ideológico - fazendo com que parentes e amigos nos olhem com descrédito quando questionamos um jornalista da Folha ou da Globo -, a letra fria dos números constitui uma prova irrefutável da existência, para além das divergências ideológicas e do preconceito de classes, de razões objetivas para o ódio figadal com que combatem o lulopetismo.

Os grandes grupos de mídia foram muito afetados em seus rendimentos pelos efeitos da desconcentração das comunicações produzida nos últimos oito anos - e qualquer leigo, por menos informado que seja, compreende o que é "sentir no bolso" e a reação imediata e desmedida que os apertos financeiros suscitam, ainda mais entre mega-empresários que sempre estiveram acostumados a muito lucrar.

Fosse o mau jornalismo uma modalidade de crime, o motivo estaria, portanto, estabelecido. A arma seria a leviandade, a distorção dos fatos e a má-fé persecutória; e a vítima, embora seus perpetradores desejassem que fosse Lula ou Dilma, é a verdade dos fatos, tal como repassados ao público.

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela matéria. Como observado pelos números apresentados, o PIG tem lá seus motivos para sentir saudades do PSDB. Abraços, Passarinho Pentelhão.

Clara Gurgel disse...

Ótimo texto,Maurício! Já vai para o "Face". Seus posts fazem sucesso por lá. Fico feliz por ter achado seu blog!

Maurício Caleiro disse...

Eu também fico, Clara!