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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Primavera digital chega ao fim

O debate político brasileiro vive um momento tenso e contraditório. Embora seja inegável o salto qualitativo propiciado por uma maior penetração de blogs não-corporativos nos dois ou três últimos anos, certos vícios que caracterizaram a atuação de setores da blogosfera no período cobram, enfim, o custo de sua incongruência.

Pertence à lógica mais elementar, inescapável, a conclusão de que se o governo Dilma impinge ao país, neste momento, um duríssimo choque anticíclico - como não se viu igual sequer no turbulento início da presidência de Lula, herdeiro da “herança maldita” tucana – o faz porque há um grave problema com as contas deixadas pelo ex-presidente. Negar a evidência de um pronunciado déficit equivale a incorrer em desonestidade intelectual em nome de interesses político-ideológicos[1].

E distorcer os fatos em nome de tal modalidade de interesses é precisamente a acusação que, de forma muito justa, é recorrentemente feita contra a mídia corporativa. Portanto, os blogueiros que apoiam incondicionalmente o governo, não importando quão graves sejam as medidas que este toma, não estão se apercebendo do risco de se igualarem ao “Pig” que tanto criticam.


Dicotomias burras
De minha parte, estou cheio dessas divisões absolutistas e maniqueístas entre nós (os puros) e eles (os corruptos), PT x PSDB, blogosfera independente x mídia corporativa, Lula x FHC, Brasil x EUA. Que me desculpem os fanáticos, mas o mundo não é em preto e branco.

Também me encheu o simplismo fácil com que se usa o termo multiuso PIG (Partido da Mídia Golpista) como explicação para todos os males que nos afligem, como se uma atividade complexa e que envolve milhares de profissionais pudesse ser sempre, inapelavelmente, em qualquer contexto, associada a um rótulo jocoso que não poucas vezes tem servido de bode expiatório e de desculpa para que a esquerda deixe de olhar para seu próprio umbigo e reconhecer seus erros e contradições.

E, por fim, embora considere Lula, disparado, o melhor presidente que o país já teve, não estou disposto a consentir com seu processo de canonização e mitificação, em pleno andamento, e que o presume um ser perfeito, imune a mancadas ou erros e isento de responsabilidades, com uma manada feroz atacando, a la Inquisição Espanhola, quem ousa fazer qualquer restrição ou crítica. Ora, uma das grandezas maiores de Lula, tanto no espectro político quanto humano, é precisamente ter aprendido com seus erros e derrotas e a partir deles se aprimorado para se tornar o excelente presidente que foi e o notável ser humano que é. Santificar Lula, na verdade, o diminui, ao invés de engrandecê-lo.


Cai na real, blogosfera
Não bastasse essa crise ética que se manifesta em setores da blogosfera e os torna similar, em dissimulações interesseiras, à mídia corporativa que tanto criticam, Dilma Rousseff, após ter dispensado, por conta do episódio da licença Creative Commons no MinC, um tratamento no mínimo desrespeitoso aos ativistas digitais que tanto a apoiaram, presta-se ao lamentável papel de voar de Brasília para São Paulo para prestigiar, ao lado de toda a fauna tucana, os 90 anos da publicação que mais decaiu eticamente no Brasil na última década, a ponto de dar voz a um aloprado que “denunciou” Lula como estuprador e de estampar ficha policial falsa da pré-candidata Dilma na capa. E compareceu à festa na capital paulista sem um mísero pedido de desculpas em troca.

Ante a reação indignada de setores da blogosfera contra esse autêntico tapa na cara dos que, gratuita e dedicadamente, tanto lutaram pela candidatura Dilma e contra a mídia corporativa que a Folha representa, a reação foi um histérico cala-a-boca, seguido de tentativas grosseiras de desqualificação do interlocutor. Mal posso acreditar que depois de todos os escândalos e absurdos de um jornal que denunciei implacavelmente, vivi para ver alguns petistas igualarem-se a Marcelo Tas e elogiar a Folha por gozar as próprias mancadas. Foi um espetáculo doloroso.

O “argumento” dos que defendem incondicionalmente a presença de Dilma na Barão de Limeira? "Não era a pessoa Dilma Rousseff quem lá estava, mas a presidenta". Trata-se de uma premissa duplamente falaciosa: em primeiro lugar, porque não é possível dissociar uma de outra, e foi uma presidenta esquerdista, ex-guerrilheira, de um governo vilipendiado pela imprensa quem o povo brasileiro elegeu. Em segundo porque não há razão objetiva nenhuma para um presidente prestigiar a festa de um grupo privado de comunicação, ainda mais sendo este um dos principais responsáveis pela derrocada ética do jornalismo brasileiro. Se Dilma acha que com esse gesto angariará a leniência dos Frias então estamos mesmo perdidos.


Momento é de Desencanto
A nova presidente fez sua opção, e é pela mídia corporativa. Seu desprezo pela militância virtual que a ajudou a eleger-se é evidente e mesmo se algum desagravo vier a público nos próximos dias será meramente reativo, prêmio de consolação. O simbolismo do gesto da presidenta acabou por transferir a crise, da imprensa para a blogosfera.

Foi, como disse, um tapaço na cara da blogosfera – o qual, espero, derrube nossa auréola, faça-nos despertar e sair da bolha de certezas e auto-congratulação em que muitos de nós nos metemos. Aliás, uma das coisas mais assustadoras no maravilhoso mundo não tão novo dos blogs é seu excesso de certezas e escassez de dúvidas, o seu sem-número de opiniões mas sua carência de embasamento.

De minha parte, neste momento de desencanto, sinto que o momento é de voltar aos livros, buscar na sabedoria de longo prazo que só eles oferecem inspiração e subsídios para entender mais esse tremendo retrocesso da esquerda brasileira.
Eduardo Guimarães afirmou ontem que perdeu muitos negócios por conta da dedicação a seu blog e à militância virtual; eu, para me dedicar a esta e a este espaço bem mais modesto, não perdi dinheiro, mas adiei o lançamento de livros e diminuí minha produção como autor acadêmico. É momento de rever prioridades e de aquietar meu lado militante e minha identificação com movimentos e partidos. Este blog continuará, mas com uma pauta mais diversificada e com textos mais leves, fiel à paixão ao jornalismo, ao cinema e à cultura em geral.
A despeito de seu triste e revoltante final, foi gratificante tomar parte da primavera digital. Mas, como diz a canção, todo carnaval tem seu fim.

[1] No que concerne especificamente a tais problemas de caixa, a minha crítica não é a Lula por tê-la deixado – isso fatalmente aconteceria no bojo de um crescimento expressivo da economia, ainda mais em ano eleitoral -, mas à retomada da ortodoxia neoliberal promovida por Dilma para lidar com a questão, priorizando uma vez mais o mercado e o grande capital - em detrimento de assalariados e desempregados - ao invés de adotar medidas menos traumáticas, alongando o perfil do pagamento da dívida e fazendo valer o poder de barganha que o Brasil, ótimo pagador, angariou nos últimos anos. Porém, o próprio esforço dos que não admitem nenhuma crítica a Lula ou a Dilma para negar o buraco no caixa é sintomático do quão contaminados estão por premissas do ideário neoliberal no que tange à administração da macroeconomia do país. É a prova da presença insidiosa do neoliberalismo em mentes que se crêem de esquerda.

22 comentários:

Ricardo disse...

Primavera nos dentes como diria o Secos e Molhados, nunca me iludi por qq abertura ou espaço protagonizado por militantes independentes da blogsfera. Concordo contigo quando diz: não há nada que obrigue a Presidente a ir a festas de instituilções privadas (quaisquer que sejam) com o agravante que esta instituição se aparelhou como partido e escolheu um candidato que representava todo o obscurantismo que conhecemos. Opção? Claro que foi opção, Presidente não opta sozinho. E tem mais: ficar sendo chamado de esquerdista infantil, burro e limitado por pensar diferente de uma suposta "estratégia" sutil e genial da Presidente por ir a tal festa não dá pra engolir.

NaMariaNews disse...

Grata pela lucidez. Concordo totalmente com tuas palavras. Dolorido e lamentável episódio que não será esquecido.
Abraço.
NM

veramp disse...

Parabéns, você disse tudo o que eu queria dizer e até sugeri no Twitter.

SPIN disse...

Comentei no Azenha, o qual reproduziu seu post, e vou repetir aqui:

Que cara fraquinho, o debate mal começou já cai fora
É como se o Poder Executivo fosse obrigado a comprar a briga com a mídia, uma tarefa que da sociedade e que nós temos sim, obrigação de levar adiante
A deputada Luiza Erundina está formando uma frente pela democratizção da mídia
Olá amigos e amigas, entre em contato com o(a) deputado(a) federal do seu Estado para que o mesmo integra a Frente
Uma boa noite, segue o link sobre a Frente que está sendo criada por Erundina, a nossa casa é o Congresso Nacional, deixa a Dilma trabalhar, trazer a banda larga, educação, etc etc,
Imagina só a Dilma fechando a porta para a imprensa
E cada uma

http://www.deputadaluizaerundina.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=533&catid=1&Itemid=77

André Lux disse...

Desculpe amigo, mas sou obrigado a discordar do seu texto, que é bem primário e cheio de inverdades por sinal.

Explico.

Primeiro, você apela para um sofisma para desqualificar a blogosfera ao afirmar que ela tenta "canonizar e beatificar" Lula. Não vi ninguém fazendo isso. O que vejo são simplesmente pessoas dando a Lula o crédito que merece: o de melhor presidente da história do Brasil - e isso nem era algo difícil de conquistar, já que os presidentes anteriores a eles (ditadores inclusive) foram muito, mas muito ruins. Desafio você a dar o link para todos esses textos que querem "canonizar" o Lula na blogosfera - até porque quem acusa tem que provar, ao menos que eu tenha me enganado.

Segundo: você tenta qualificar como "herança maldita" o abacaxi que Lula deixou para Dilma como sendo fruto de incompetência ou de erros dele. Aí é ingenuidade sua. Todos nós sabíamos que as coisas não andavam tão bem com a economia - em grande parte devido à crise gravíssima que o capitalismo mundial atravessa. Mas o fato é que ano passado era ano eleitoral e seria suicídio político para um governo (qualquer governo!) começar a tomar atitudes impopulares para tentar regular a situação - ainda mais quando o adversário da esquerda era um psicopata como Serra que ainda por cima contava com apoio total do PiG. Dilma, portanto, sabia o que a esperava (assim como qualquer um com bom senso) e está fazendo o certo dentro das circustâncias: tomando medidas impopulares, porém necessárias, no início do governo quando ainda pode se dar ao luxo. Sim amigo, a política é algo complexo e é preciso jogar o jogo com lucidez e visão a longo prazo, sabendo a hora de atacar e de defender, algo que certamente incomoda muito os puristas e os ingênuos. Que bom que eles não estão no governo!

Terceiro. Você novamente apela para um sofisma para desmerecer aqueles que criticam o PiG sem tréguas ao dizer que ele possui milhares de profissionais ao seu serviço - muitos dignos do nosso respeito sim - porém "esquece" do principal: quem tem a palavra final do que sai e de que maneira sai no PiG são os editores chefes. E aí a coisa complica, pois estes são pessoas da total confiança dos donos do PiG que, como todos sabemos, são reacionários, elitistas, autoritários, soberbos e antitrabalhistas até os ossos. Portanto, o trabalho daqueles "milhares", no final das contas, tem muito pouco peso frente às decisões de meras "centenas", talvez "dezenas", de manda chuvas totalmente alinhados às doutrinas e ideologias de seus patrões.

CONTINUA...

André Lux disse...

Quarto. Você surta e rompe com Dilma porque ela teve a "audácia" de aceitar um convite da Folha para participar da comemoração dos 90 anos do jornaleco golpista. Você e alguns outros encararam isso como uma traição. Direito seu ter essa reação, mas quem lida com política no mundo real e não apenas no mundo das idéias sabe que muitas vezes um gesto de grandeza fere o inimigo muito mais do que um gesto de violência. Ao aceitar ir ao evento e ser a principal oradora, Dilma dá uma estocada de mestre em toda aquela corja de papagaios e capachos que tanto a agrediram só para agradar o chefinho deles. E uma estocada ainda maior no próprio chefinho! Afinal, todos tiveram que engolir a presença dela na festa deles como a PRESIDENTA DA REPÚBLICA, eleita democraticamente, a despeito de TUDO que fizeram para impedir tal ato. Eu, se estivesse no lugar dela e com a experiência que tenho hoje, faria EXATAMENTE a mesma coisa. E sairia de lá gargalhando. Muito melhor do que dar uma de orgulhoso e não ir ao tal evento, só para no dia seguinte ser chamado de "pequeno", "mesquinho", "indigno de ocupar a Presidência da República" e outras ofensas que eles estavam loucos para escrever ao meu respeito, não?

Por fim, o seu texto que tanto bate na blogosfera (de forma geral, já que não tem coragem de dar nomes aos bois) e tenta de tudo para pintá-la como "radical", "maniqueísta" e "simplista" é, no fundo, radical, maniqueísta e simplista ao extremo, além de demonstrar uma vontade imensa de provar algo que, cá entre nós, só interessa a você e ao seu psicólogo.

Desculpe a minha franqueza, mas minha ética de blogueiro me obriga a ser assim. Sem dizer que fogo amigo como o que você disparou só merece mesmo esse tipo de tratamento mesmo.

Fico pasmo, entretanto, com o número de pessoas bem intencionadas e inteligentes que concordou com tudo isso aí que você escreveu - alguns chegaram até a reproduzir em seus blogs!

Sinta-se livre para me ofender da melhor forma que você sentir necessidade.

Sem mais,
André Lux - blogueiro de esquerda (na alegria e na tristeza)

Anônimo disse...

O seu problema, André Lux, assim como o da Dilma, é esse complexo de vira lata, é continuar buscando a benção da mídia, mesmo depois dela ter sido fragorosamente derrotada. A Dilma só conseguiu provar q o arremedo d esquerda q temos no Brasil, continua sendo pautado pele mídia e ñ tem um pingo d perspicácia para perceber esse momento político precioso, ou seja, q o cenário da comunicação mudou, q o PIG ñ fala mais sozinho.
A sua patética preocupação de q se a Dilma poderia ser chamada de "pequena", "mesquinha", "indigna de ocupar a Presidência da República" e outras ofensas que eles estavam loucos para escrever ao meu respeito", se ela ñ fosse a essa ópera bufa dos 90 anos da folha, da bem a medida do q eu disse acima.
Me desculpe a franqueza, André, mas eu estou cagando para a opinião da folha. E se a Dilma deu alguma "gargalhada", depois desse desastre, eu ñ ouvi. E mesmo q tivesse dado, eu continuaria ñ ouvindo. Ou vc acha q o PIG noticiaria isso? Essa "audácia" da Dilma só deu sobrevida a um cadáver q já deveria estar sepultado a muito tempo.
Quanto ao complexo de vira lata expresso no seu texto, "simplista ao extremo, além de demonstrar uma vontade imensa de provar algo que, cá entre nós, só interessa a você e ao seu psicólogo".

Eugênio

Marcelo Delfino disse...

Depois da morte do demo-tucanato e do início da metástase do PiG (que, espero, parta dessa para uma pior), agora me divirto com as dondocas progresssitas metendo o pau (ui!) uns nos outros. Não sabem mais o que fazer com o poder que tem na Internet e no Governo. No Governo, então, muito menos, pois ainda temos muitos neoliberais, direitistas, reacionários e golpistas (saudade de 1964) na base do Governo: Maluf, Sarney, Renan, Collor, etc. Têm que dividir cargos e benesses com essa cambada toda.

Sobre o PiG, uso a mesma sigla para me referir ao Partido da Imprensa Governista: grupo Record-IURD, Carta Capital, Caros Amigos, Rádio Tupi do Rio de Janeiro, etc.

O demo-tucanato é o passado (ainda bem!), a esquerda é o presente e o futuro será algo muito melhor do que isso tudo.

Ricardo Melo disse...

Caleiro, você acusa parte da blogosfera de “desonestidade intelectual”. E isso você fez no segundo parágrafo do texto. O mesmo parágrafo em que você afirma que o governo Dilma impinge agora um “duríssimo choque anticíclico”, nunca visto sequer no “turbulento início de Lula, herdeiro da “herança maldita” tucana.

Não vou acusá-lo também de “desonestidade intelectual’, mas no mínimo você perdeu a mão. Vamos refrescar a memória? Em 2002 a inflação chegou a algo próximo a 14% e os índices apontavam para mais de 20%. Em meio à herança maldita de FHC, também repleta de debitos e caixa zerado, o governo Lula aumentou a taxa de juros para 26,5% em março de 2003. Em 2011 a taxa de juros também subiu, subiu para 11,25%!

Como você pode afirmar que o choque “anticíclico” da Dilma foi pior do que o de Lula? Você não se lembra da falta completa de investimentos privados, do alto desemprego, da recessão de 2003? Diante da comparação, como você afirma que temos agora um “duríssimo choque anticíclico nunca visto sequer no turbulento início da presidência de Lula”?

Na verdade, o choque dado no início do governo Lula nem foi “anticíclico”! Esse sim foi um choque duríssimo porém inevitável, que estabeleceu um grande sacrifício para que o país pudesse se estabilizar e crescer de modo sustentado, como efetivamente aconteceu! Foi um choque recessivo em meio a uma economia esquálida, não foi um choque anticíclico!

Vou repetir: como você pode sustentar que juros de 11,25% e uma economia de 50 bilhões no orçamento foram mais drásticos do que o início do governo Lula? A economia continua crescendo, a taxa de desemprego está no recorde mais baixo, os investimentos privados continuam, o PAC continua, o Minha Casa Minha Vida está aí, a desigualdade diminuiu.

No mais, eu também não concordo com o viés geral do seu texto. A Dilma é presidente do Brasil e pode sim comparecer ao convescote da folha, ela não foi lá me representar ou me contrarepresentar. Ela foi lá desempenhando um papel de chefe de Estado, escolhida pela maioria.

Mais importante do que saber onde e com quem a Dilma falou é sabermos os rumos que ela vai tomar nos temas nacionais.

E vou mais além. No começo do governo Lula até eu comprei as críticas contra a sua obsessão anti-inflacionária. Critiquei a falta de arrojo em relação ao crescimento da Argentina e da Venezuela.Bem, não preciso dizer mais nada, você já entendeu. Hoje é muito fácil constatar que "o cara" é que estava certo.

Muitos jornalistas e blogueiros carregam as suas tintas nas críticas, esse recurso é bastante eficiente em termos de ganho de visibilidade, de formação de polêmicas e tudo o mais.

Eu prefiro análises mais ponderadas e menos espalhafatosoas, essas costumam ressistir melhor ao tempo. Mesmo que esse tempo não seja assim tão longo...

Blog do Jordão disse...

Em primeiro lugar, parabéns por ter a coragem de dizer algo novo. Eu também acho que você exagerou, mas também vejo exageros em alguns dos que o contestaram neste blogue. De modo geral, o maior mérito do teu texto é ajudar a desintoxicar pensamentos ainda contaminados pelo processo eleitoral. Acho que Dilma acertou em comparecer à Folha e não creio que ela pense que com isso vai angariar sua simpatia ou ao menos sua neutralidade. Foi lá no covil do leão, deu-lhe um tapa de luva e saiu ilesa. Quanto à ortodoxia econômica, era previsível, afinal a esfinge (confesso que não sei qual é a dele) Palocci está ali ao lado dela. E é melhor queimar esses cartuchos agora do que nas tempestades que virão.

Revistacidadesol disse...

Meu caro: que tal reconhecer agora que o artigo do Cesinha foi um desabafo a respeito do tempo dele de prisão, assim como é um produto da luta dele no PT em 94-95 para que grandes empresas como a Odebrecht não patrocinassem o partido, que viraria o cabaré que virou?

Essa história do estupro foi somente uma piada do Lula com ele, mas a piada deve ter existido e merece ser transcrita.

Abs!

Anônimo disse...

O engraçado é que os comentários aqui só reforçam o que ele disse no texto. É capaz de alguém me xingar por esse também e fica aquela linda discussão entre demotucanos e petralhas. Francamente não há possibilidade de reflexão verdadeira. Assim fica difícil mesmo.
Além do que não se pode tomar uma posição pessoal, sem que se saia como "traidor do movimento". Eu acho legítimo que alguém volte-se mais para os livros, e também acho que estamos precisando.

Ricardo Melo disse...

Anônimo das 11:34 hs:

Sim, é bom voltarmos para os livros. Até mesmo para que todos possamos fazer críticas que não sejam pueris, que não generalizem entidades (nem mesmo a etérea "blogosfera").

E também para que o dono do blog não cometa uma análise econômica furada e manipulada (embora eu saiba que de modo involuntário), a ponto de eu ter gasto várias linhas em um comentário anterior para colocar as coisas no lugar. Recomendo a leitura.

É isso mesmo, mais livros para que os textos todos melhorem. Inclusive em toda a blogosfera.

Maurício Caleiro disse...

Obrigado a todos pelos comentários. Estou extremamente ocupado com compromissos profissionais e só agora pude vir dar uma espiada aqui.

Prefiro não responder aos contra-argumentos, os quais respeito, nem, é claro, aos ataques - como deixo claro, o texto é um desabafo e o anúncio de uma tomada de posição individual, não pretexto para iniciar novas polêmicas nas quais os elementos nele criticados estão todos presentes. O que eu tinha a dizer está dito, tenho a consciência tranquila de que com a melhor das intenções. Posso estar errado, é claro, mas isso só o tempo dirá.

Em tempo: ao contrário do que afirmam os que leem o texto que querem ler, e não o que está escrito, não acusei a blogosfera, mas SETORES da blogosfera, o que é bem diferente; e, como a nota ao pé de página deixa claro, não acho que foi um erro imprevisto de Lula o déficit, mas decorrência natural e aceitável das políticas adotadas. Como afirmei explicitamente, minhas críticas são à "retomada da ortodoxia neoliberal promovida por Dilma para lidar com a questão". E neoliberalismo, ao meu ver, não coaduna com esquerda.

Obrigado a todos, mais uma vez.

daniel disse...

Assino embaixo. Se o Obama é o Lula que não deu certo, a Dilma tá mais pra Obama de saias neste início de governo. Só falta agora ela criar o movimento bi-partidário (bi-partisan) pra fazer as reformas, onde os democratas votavam junto com os republicanos, e os republicanos votavam CONTRA quase tudo dos democratas, e os democratas recuavam vergonhosamente (a reforma não mudava essencialmente nada, mas era aprovada). Detalhe: TINHAM A MAIORIA DOS VOTOS, não precisavam dos republicanos... Se a oposição perceber isto, vai ser fácil acordar o "tea party" nacional.

Lembrando que o líder do Obamão chegou a dizer "shut the fuck up" para os militantes descontentes que o elegeram, se isso acontecer aqui, é profecia realizada >:P.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Post impecável, Maurício! Eu já venho falando sobre esse governo Dilma desde a primeira semana! Minhas expectativas eram as piores e, no fim, parece que estou certo, infelizmente. Estou aprontando três posts críticas a diversos pontos-chave do gov, como Política Externa, Defesa... Vamos ver no que vai dar!

Engraçado que muitos petistas ou Dilmistas/Lulistas, hoje, estão recebendo as mesmas críticas pesdas e intolerantes que eu recebia e ainda recebo dos fanáticos...

Fanático é sempre fanático, não importa o lado.

Aliás, o André Lux, do comentário gigantesco é notório censurador e intolerante, não surpreende a posição da figura. É o exemplo perfeito e acabado do fanático cego e inconsequente:
http://tsavkko.blogspot.com/2010/11/sectarismo-mais-uma-doenca-infantil-da.html

DanDi disse...

Maurício,

Seu texto é de um todo bastante coeso. Estou fazendo o mesmo com meu blog e estou sendo taxado de fanfarrão, anti-governistas, patrulheiro da direita ou psdbista de armário. Tava até para fazer uma postagem sobre o que estou chamando de marcatismo petista. Bom, a única coisa que discordo é a desistência da causa. Isso não podemos fazer. A luta é assim, sempre tem uma bofetada desanimadora, mas acredito que só seguindo que podemos ver num futuro (próximo ou não) um Brasil novo. Se tivermo que ir contra nossos eleitos é simples, terá de ser feito! E até é melhor que acabou de vez o encatamento. Agora o jogo é outro!

Abraços

mucury cultural disse...

Bom dia Caleiro,

Como sempre merthiolático.
Concordo e discordo, mas este não é o problema. Seu texto abordou os tendões de aquiles, que não são só dois...rsrs.
E eu disse ao meu chefe há alguns dias. Ele me perguntou sobre para que serviam os Partidos, e eu respondi que serviam para que pudéssemos brigar durante uma eleição.
Ela, a eleição acabou, mas alguns resistem em continua-la. Acabou e o conceito político da moda "governabilidade" começou. Ainda é cedo para uma avaliação do governo Dilma, mas já é tempo para o criticarmos.
E não acredito em uma dialética hegeliana... o futuro não necessariamente será melhor... mas estes são outros quinhentos...
parabéns e grande abraço!

Bruno.

Maurício Caleiro disse...

Obrigado a Daniel, ao merthiolático Bruno e ao Tsvakko (sim, reconheço q vc antecipou algumas críticas) pelos comentários.


DanDi,

Eu não desisti da luta, como vc e alguns outros entenderam, mas da militância pró-Dilma.
Sou e sempre serei de esquerda - mas da esquerda autêntica, anti-neoliberal.
Abs.

Lucas Jerzy Portela disse...

o texto é bom mas tem um problema de princípios conceituais: usa "Neoliberal" como sinônimo de "Direita.

Na verdade não é: Neoliberalismo-Estatismo é um eixo vertical, e Direita-Esquerda um eixo horizontal. Pode-se ser de Direita e estatizante (DeGaulle), e de Esquerda e Neoliberal - é, precisamente, e desde sempre, o caso do Partido dos Trabalhadores.

Anônimo disse...

Ufa! Até que enfim alguém com sabedoria! Não aguento mais ser taxada de "tucana", "reaça", "burguesa" ao criticar algum aspecto do governo Lula. Outro dia eu disse que apesar da beleza da revolução cubana, eu nunca seria feliz morando em Cuba. Vocês não imaginam o que eu tive que ouvir! Virei "fútil", "capitalista"... Enfim, concordo que o Marcatismo esquerdisda está intenso!

Marcelo Delfino disse...

É possível, sim, ser um governo ao mesmo tempo de esquerda, neoliberal e Partido Único. O exemplo mais bem acabado é o do Partido Comunista da China. A quintessência e modelo para o PT brasileiro.