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domingo, 29 de abril de 2012

Vazamento de inquérito: a mídia no banco dos réus


O vazamento do inquérito do caso Cacheira-Demóstenes, ao permitir acesso a uma série de evidências acerca de ações coordenadas pelo bicheiro visando fabricar e plantar escândalos na mídia, dirime dúvidas sobre a gravidade das acusações e o grau de envolvimento da imprensa numa operação que, de maneira indubitável, possui viés golpista, atentando contra a ordem constitucional.

Por outro lado, demarca o início de uma nova fase em que devem acirrar-se tanto as estratégias diversionistas dos setores beneficiários de tal esquema – leia-se demotucanato e mídia - quanto o confronto entre as versões que esta, acuada e prestes a sentar-se no banco dos réus, deve, com propósitos ilusionistas, oferecer e os fatos que se depreendem das evidências colhidas nos autos.


Vazamento suspeito
Uma primeira questão a ser pensada é a quem interessa o vazamento de um inquérito que tramitava em segredo de justiça e com que finalidade ele foi divulgado. Segundo o STF - que tornou pública a irritação que a divulgação indébita causou ao ministro relator Lewandowski e ao presidente Aires Britto, que teriam se reunido por cinco horas para discutir o caso -, além de membros da corte, só os advogados de acusação e de defesa haviam tido acesso ao processo . (Nota: ao contrário do que alguns analistas ora afirmam, quando Lewandowski liberou o acesso de membros da CPI ao inquérito, na sexta-feira, este já havia vazado e era passível de acesso em diversos sites.)

Afigura-se como mais provável hipótese que o vazamento advenha do campo da defesa, com vistas a pavimentar o caminho para anular o caso. Há um precedente para a adoção bem-sucedida de tal estratagema: a Operação Satiagraha – que, não por acaso, também dizia respeito a um enorme e ramificado conluio entre poder político-econômico e manipulação midiática.


Para muito além do Fla-Flu
Porém, os tempos no STF são outros, agora que conta com a liderança serena e segura de Ayres Britto, e parece pouco provável que o tribunal vá permitir que uma chicana tão barata alcance, uma vez mais, êxito. Ainda assim, a divulgação do inquérito – que absolutamente não interessa à acusação, que dispõe de fartas evidências comprovatórias – beneficiaria a defesa ao propiciar a deflagração de um cenário de ânimos exaltados em que a violação da lei pelos réus passasse ao segundo plano, substituída por uma nova edição, mais acirrada, do Fla-Flu político-ideológico entre apoiadores da aliança petista e de seus adversários demotucanos.

Uma primeira amostra de tal tática foi dada na tarde de ontem (28/04), por ocasião da reação ao tuitaço (mobilização através da rede social) que colocou a hashtag #VejaGolpista no topo dos assuntos mais comentados no Brasil e no mundo. Horas depois, a reação conservadora, embora sem lograr o êxito de seus opositores, viria com a tag #VejaNelles, que entrou para o TT Brasil.


 Democracia ameaçada
Ora, os fatos vazados do processo trazem evidências que comprovam não ser mais possível – se é que um dia foi – limitar a tal falsa dicotomia os termos do debate público. O que está em jogo, agora, não são as inclinações político-partidárias dos cidadãos e seu agrupamento em torcidas opostas, a se digladiar, mas a existência – corroborada em uma montanha de provas - de um milionário esquema criminoso com ramificações públicas e privadas, nas três esferas do poder e - , talvez o mais grave - que manipulou, plantou matérias e as editou em pelo menos um grande veículo de imprensa, com consequências tão graves para a ordem democrática do país que o impeachment de um Presidente da República eleito chegou a ser cogitado.

Ante tais fatos, não importa se o leitor ou a leitora simpatiza com o PT de Lula e Dilma, com o PSDB de FHC e Serra ou com quaisquer outras figuras e partidos da fauna política brasileira. A ordem jurídica do país e a obediência à Constituição – para não mencionar a ética cidadã - estão acima de tais predileções. Graves crimes foram cometidos e precisam ser punidos, doa a quem doer. Simples assim.


Provas falam por si
Transformar um caso jurídico dos mais estarrecedores, apoiado em farta documentação, em uma mera guerrinha de torcidas só interessa aos réus e à mídia, que, tem, pela primeira vez em nossa história, um alto volume de provas contra si reunidas em um processo judicial. Essa politização barata lhes fornece munição para ampliar sua cortina de fumaça, caracterizando o caso – como já vêm fazendo – como mais um round entre “os defensores da imprensa livre” de um lado, e, de outro, “os agitadores/a militância paga/os blogs sujos”, “que defendem a censura/que querem encobrir o mensalão/que são chapa-branca” e por aí vai - sempre de acordo com a cartilha de estereótipos com que tipifica os que aos interesses da mídia se opõem.

Por isso mesmo, há de se refletir se o momento é mesmo de manifestações ruidosas - que tendem a facilitar tremendamente a tarefa diversionista midiática de circunscrever o caso à militância política de esquerda, caracterizando-a como massa de manobra e sobrepondo o aspecto político do caso à sua natureza jurídica -, ou se a hora é de reafirmar, serenamente e sem recair no Fla-Flu e na provocação dos trolls, o primado da Justiça e a força dos fatos apurados pela Polícia Federal e descritos nos autos.


Guerra de informação
De qualquer modo, o maior desafio, agora, será difundir a real dimensão do caso para além dos limites das mídia corporativa, fazendo com que as parcelas mais conservadoras do público, tanto em termos das formas como buscam ou recebem informação quanto de posicionamento político, tomem ciência da ameaça à ordem democrática que, efetivamente, tem significado o conluio entre crime organizado, políticos da oposição e imprensa.

Neste momento, carregar ideológica e partidariamente as denúncias é contraproducente, assim como, é mister reconhecer, limitar sua difusão aos circuitos alternativos  de comunicação  - não obstante o importante papel destes - é insuficiente. Será preciso alcançar o leitor/ouvinte/espectador não familiarizado com blogosfera e redes sociais e fazê-lo tomar conhecimento dos crimes relatados nos autos. Trata-se de um desafio hercúleo - posto que setores da própria mídia farão de tudo para impedir ou deturpar a circulação de tais notícias -, mas necessário.


Atualização (20h16min): A Record, ao noticiar em seu portal, com o máximo destaque, que "Serra deu R$34 milhões à revista Veja quando era governador de SP" dá mostras de que nem toda a mídia sucumbirá ao diversionismo corporativo.

(Imagem retirada daqui)

terça-feira, 24 de abril de 2012

A CPI e as estratégias diversionistas da mídia

As reações do grosso da mídia à Operação Monte Carlo, às ligações Cachoeira-Demóstenes-imprensa, e à aprovação da respectiva CPI têm apresentado características que, embora não surpreendam, suscitam preocupação e desalento.

A esperança de que as evidências de associação com o crime organizado que paira sobre setores da imprensa fosse, por sua gravidade, promover um processo de revisão de seus métodos, condutas e deontologia se dissipa ante a constatação de que omissões, distorções e um perfil marcadamente partidário de atuação continuam ditando o perfil da cobertura do tema.


Operação-abafa
Em um primeiro momento, tratou-se de abafar o caso, já que este envolvia um dos ídolos do neoudenismo midiático – e, logo se soube, a mais raivosamente antipetista das revistas semanais. Tal fase durou pouco mais de uma semana, até que o burburinho gerado na internet, somado à gravidade das acusações contra Demóstenes, fez com que parte da mídia – talvez receosa de que seu silêncio fosse interpretado como cumplicidade criminosa – passou a acompanhar o caso.

É forçoso constatar, no entanto, que isso se deu de forma relutante – ainda que sem o estardalhaço moralista costumeiro (substituído por uma prudência acusatória inaudita) e se valendo de pesos e medidas desproporcionais aos habitualmente empregados na sucessão de denúncias contra a aliança governista, a mídia teve de se resignar a entregar a cabeça do senador catão à opinião pública.


Inversão de culpa
Teve início, então, um segundo movimento, que se perpetua até os dias atuais: tentar atribuir às forças demotucanas a autoria da CPI e o ímpeto investigativo contra “mais um episódio de corrupção”. Cabe destacar dois truques baratos acoplados a tal estratégia: o primeiro é que tal caracterização, ao tipificar o mais grave caso de envolvimento da imprensa com o crime organizado como mais uma falcatrua dentre tantas, o banaliza.

Esse segundo truque combina elementos de mistificação e de total desapego aos fatos, ao classificar o escândalo Cachoeira-Demóstenes como “mais um caso de corrupção no governo petista”. Desnecessário apontar o quanto a adoção de tal estratégia - à qual incorreu inclusive um ex-jornalista de prestígio, hoje convertido em hidrófobo blogueiro corporativo – é desrespeitosa para com o leitor/cidadão, concebido como um idiota desinformado incapaz de se aperceber do absurdo de se debitar as faltas da oposição conservadoras na conta das forças governistas que se lhe opõem.

O movimento de inverter responsabilidades e confundir a opinião pública contou, no início, com o auxílio luxuoso de Fernando Henrique Cardoso, que durante dois dias monopolizou a mídia que o adora e adula com declarações de apoio à CPI. Daí em diante passou-se a bola da embromação a focas menores, na imprensa e na política – inclusive lideranças do DEM (sic) bem próximas a Demóstenes -, que continuam a empiná-la à ponta do focinho, para deleite do público cada vez menor que lhes é cativo.


Bode expiatório
Um terceiro movimento midiático visa desviar o foco da atenção, de Demóstenes para alguma figura da aliança governista. A questão, para a mídia e para a oposição, não é de escala: ou seja, não importa que as acusações contra o ex-senador do DEM tenham centenas de provas a sustentá-las, enquanto as suspeitas contra, digamos, o governador Agnelo se baseiem em escassos indícios – eles apostam que, através do seu poder de ampliação, conseguirão convencer a opinião pública de que estas são mais graves do que aquelas. Para tais forças não importará, portanto, se, após o escrutínio milimétrico dos documentos da CPI, só lambaris e agulhinhas da aliança governista caírem na rede – o trabalho da mídia e dos setores conservadores será, então, transformá-los em pirarucus e em tubarões bem mais ameaçadores do que Demóstenes.


É dentro desse diversionismo descalibrado que se inserem as tentativas recentes de associar, a priori, o governo federal (ou qualquer governo estadual da aliança capitaneada pelo PT) e a Delta, empresa envolvida em uma série de denúncias envolvendo Cachoeira na Operação Monte Carlo. E tome a enxurrada de manchetes no estilo “DEM quer investigação da Delta em todos Estados (sic)”, ontem disponibilizada no site yahoo!, ou o destaque a falas no mesmo sentido vindas de ninguém menos do que Agripino Maia.


Mais alto o coqueiro...
Soma-se a essas estratégias da mídia a tradicional técnica diversionista do assobiar para o lado e fingir que não é com ela, como exemplifica a inigualável capa da última Veja, que assegura que “Do alto tudo é melhor”. Não é preciso ser um expert em Análise do Discurso para se aperceber que se trata, naturalmente, de uma afirmação a ser entendida como uma metáfora socioeconômica e geopolítica, uma confissão de que a publicação dos Civita vê tudo pela ótica da elite predadora que ocupa o cume de nossa pirâmide social, e, por outro lado, o faz como convém aos colonizados, sob o tacão ideológico e material aos interesses da nação imperialista situada nas altas latitudes do Atlântico Norte.

O que fica claro desde já é que a mídia corporativa brasileira, seja em sua porção predominante, ideologicamente tendenciosa e useira e vezeira em verdadeiras campanhas políticas que mal se assemelham a jornalismo, seja na banda podre propriamente dita, flagrada pela Operação Monte Carlo, não está disposta em promover um mea culpa efetivo e, muito menos, em cortar na carne seu tecido necrosado, à la News of the World.

A impressão que fica é que, para além da CPI, faz-se necessária uma grande mobilização popular de pressão pela regeneração da mídia brasileira em bases republicanas e pela instauração de instrumentos efetivos de monitoração e controle - como os existentes nas principais democracias europeias -, os quais preservassem a liberdade de expressão mas coibissem a difamação e a violação da lei.


(Imagem retirada daqui)

terça-feira, 10 de abril de 2012

A dupla moral da mídia no caso Demóstenes


A pressa com que a mídia tenta tirar de cena o escândalo Demóstenes-Cachoeira, evidente nos últimos dias, deixa claro até para os que ainda insistem em nela crer que sua campanha implacável contra a corrupção e seu moralismo vigilante são de fancaria e atendem a interesses político-partidários específicos.

Tal afirmação certamente parecerá redundante para os que seguem a blogosfera e acompanham a profunda crise – material, de credibilidade e ética – em que a imprensa brasileira se meteu na última década, mas é preciso não se iludir: a internet, entre outros fatores, trouxe efetivos avanços à diversidade ideológica da comunicação no país, porém a mídia corporativa ainda preserva um considerável poder de repercussão junto a diversos estratos da população.


Crime ramificado
E é precisamente através do exercício de tal poder – decadente, mas efetivo – que a mídia, embora não tenha conseguido abafar e tenha adiado ao máximo a publicização do escândalo envolvendo Demóstenes Torres (eleito pelo DEM/GO), vem efetivamente ocultando do grande público que o país está diante de um dos maiores e mais bem documentados casos de corrupção de sua história.

Pois, além de envolver cifras impressionantes, as ramificações do poder amealhado por Cacheira e seus comparsas, apontam as provas, atingem o Senado, a Justiça, a atual administração estadual de Goiás, a PM goiana, os grupos de mídia e mais um sem-número de entes privados, alguns deles com enorme poder de mobilização de lobbies e de capital.

Comparada, no entanto. à cobertura dispensada ao chamado mensalão - que, a partir de uma denúncia de ninguém menos que o ex-collorido Roberto Jefferson, de muito “ouvi dizer” e de factoides que, hoje se sabe, partiram do próprio núcleo duro dos envolvidos na Operação Monte Carlo, parou o país por meses em 2005 – a atenção dispensada pela mídia às graves evidências colhidas na operação Monte Carlo é minúscula e na base do “vamos deixar pra lá” - vide o apelo cínico do catão-mór da imprensa Merval Pereira para que “não politizem as denúncias”.


Cadê o polvo?
Ora, quando as denúncias envolviam as forças políticas que desagradam à plutocracia midiática a qual Merval serve, a regra era uma exploração política máxima das acusações - mesmo que de rumores, factoides ou armações se tratasse; mesmo que dissesse respeito a uma tapioca de R$8,00, a uma diária de motel ou a uma carona num avião. Daí a exploração era não só política, mas eleitoreira e na base do derruba-ministro.

As mais de 40 capas de Veja contra um determinado partido político, sempre repercutidas pelo consórcio midiático de jornais, revistas e emissoras de rádio e TV - que, como reconhece uma das principais executivas do setor, atua como partido político –, aí estão para nos lembrar de como era voluntariosa e virulenta a indignação da mídia contra seus inimigos.

Mas e agora, que um dos políticos campeões de indignação moral pública sob os holofotes da mídia tem contra si contundentes provas que o envolvem até o pescoço em um esquema criminoso com penetração nacional, cadê as capas com um polvo maléfico? Os editoriais que se proliferam de jornal a jornal, cada vez mais empesteados da baba hidrófoba da autêntica indignação cívica? As passeatas cansadas querendo incendiar o congresso e dar um basta nessa democracia que só elege corruptos?



Ameaça à democracia
Tudo isso somado, é preciso se ter claro que, para muito além de sua significação para as relações entre corrupção e mundo político, as evidências contra o senador – e, até anteontem, bastião midiático da ética - Demóstenes Torres são reveladoras da ameaça à democracia que, no Brasil, as táticas empregadas pelo consórcio entre partidos conservadores e mídia corporativa representam.

Idealmente – e de acordo com o próprio papel social que historicamente reivindica para si -, uma das principais funções da imprensa seria informar o cidadão acerca dos meandros, práticas e significados das ações políticas e, assim, em um regime democrático, ajudá-lo a se posicionar e a decidir o destino de seu voto.

Tal cobertura naturalmente também incluiria, em alguma medida, a apuração e denúncia de corrupção contra figuras públicas ou partidos, o que acrescenta ao mencionado papel político-informacional da imprensa a formação de juízos de valor moral não apenas quanto a determinados políticos, mas em relação à própria atividade política como um todo.


À margem da lei
Agora, se, como evidenciam as provas relativas à Operação Monte Carlo, uma organização à margem da lei - da qual seria beneficiário direto um senador da República - tinha a capacidade não só de influir, mas até de pautar relevantes setores da mídia de forma efetiva, inclusive com a criação de factoides sem lastro na realidade, não só a própria função institucional da mídia está seriamente comprometida, mas o funcionamento pleno da ordem democrática ameaçado.

Portanto, as denúncias devem ser politizadas, sim - e cabe à blogosfera e ao que restou dos setores da mídia comprometidos com o avanço democrático avivá-las e publicizá-las -, sem a demagogia populista que caracteriza a atuação do consórcio do conservadorismo político-midiático, mas no intuito de fazer chegar ao público a verdade dos fatos e a necessidade de justiça para tão graves transgressões.

E o ônus pelo comportamento da direita e da mídia não pode mais recair somente no aparato político e midiático - é preciso que o público/eleitor que lhes dá audiência e voto seja também cobrado. Pois não é mais possível, nesse caso, a manutenção de uma moral dupla. Aqueles que compraram o discurso neoudenista que coloca uma idealizada pureza ética como o virtualmente único parâmetro axiológico da política têm de se decidir: ou sustentam tal posição e renunciam tanto à fidelidade aos partidos conservadores que têm violado a ética quanto à mídia que camufla tais violações, aligeira escrúpulos e é leniente com tal trangressão; ou, arcando com ônus da hipocrisia, admitem que o que os moveu nunca foi a ética, mas sim a identificação com as posturas elitistas, preconceituosas e socialmente discriminatórias do conservadorismo brasileiro e da plutocracia midiática que o apoia.



Coerência, por favor
Pois o caso Demóstenes/Monte Carlo demostra, com abundância de provas, que o grau de degradação da mídia corporativa, em suas relações ocultas com as forças conservadoras, é gravíssimo. A perda da tábua de salvação do moralismo, por onde se equilibrava a direita nativa, implica no reconhecimento de que os setores conservadores não têm projeto para o país.

Ao contrário do que as aparências sugerem, não se trata de algo que mereça comemoração: ter uma oposição que atue de forma programática e apresente propostas alternativas às das forças políticas no poder e contar com uma mídia que - ainda que sem ilusões de imparcialidade efetiva ou de descomprometimento com o capital - atue nas balizas determinadas pela deontologia do jornalismo seriam duas conquistas que fariam evoluir muito a democracia brasileira.

Porém, no momento, como o caso Demóstenes-Cachoeira e a cobertura que (quase não) recebe da mídia evidenciam, seria irreal acalentar a esperança de tal evolução.



(Imagem retirada daqui)