quarta-feira, 15 de maio de 2013

Governo promove volta triunfante das privatizações

Os petistas e Miriam Leitão têm algo em comum: ambos estão eufóricos com a nova rodada de privatizações promovida pelo governo Dilma, que em um dia entregou à iniciativa privada a estrutura portuária brasileira e boa parte do petróleo nacional, com exceção do Pré-Sal.

Desta vez o governo petista, que contraria uma vez mais o discuso antiprivatização com o qual se elegeu, não se importou sequer em disfarçar a privatização, apelidando-a de "concessão" ou recorrendo às novas regras alteradas pelo governo Lula: fez uso do velho modelo normativo para privatização vigente durante o governo FHC, que tanto criticou e contra o qual se colocou como alternativa diferenciada.

No desenrolar dos leilões de petróleo, caiu por terra também o velho discurso nacionalista que ajudou a eleger o PT: a multinacional Exxon (EUA) arrematou um bom naco do petróleo brasileiro, assim como a OGX, do cada vez mais polêmico Eike Batista, que continua a ser inexplicavelmente subsidiada por cofres públicos, à revelia de seus monumentais prejuízos recentes e num processo altamente ilustrativo de que o governo Dilma, a exemplo de seu antecessor tucano, continua a praticar a privatização à brasileira, ou seja, financiada com dinheiro público a juros subsidiados.

Enquanto o governo Dilma continua a entregar o país ao capital privado, inclusive estrangeiro, agindo de forma exatamente contrária ao que apregoou que faria no período eleitoral - quando adotou um forte discurso antiprivatização que ora se confirma, uma vez mais, mero truque eleitoreiro -, o povo parece sequer se dar conta do que acontece, narcotizado pelas facilidades de consumo (qualquer semelhança com o "milagre brasileiro" dos militares não é mera coincidência), iludido por uma mídia que é odiada pelos petistas mas que apoia entusiasticamente tais medidas (Wiliam Waack estava radiante no Jornal da Globo), e alienado por um fla-flu político entre PSDB e PT que se mostra, cada vez mais, uma disputa entre semelhantes: um péssimo, o outro menos pior.


(Imagem retirada daqui e manipulada digitalmente de forma a produzir novo sentido semântico)

2 comentários:

Eduardo Lima disse...

Só corrija o final. É menos pior, você escreveu "menor pior".

Maurício Caleiro disse...

Corrigido, Eduardo, obrigado.