quinta-feira, 1 de abril de 2010

A surpreendente candidatura de José Serra

Antes à tarde do que nunca (como dizia Zózimo Barroso do Amaral a respeito da vida sexual de uma certa socialite carioca), José Serra admitiu sua candidatura à Presidência.

Como noticiou à exaustão a imparcial grande imprensa paulista, a festa de lançamento reuniu - espontaneamente, é claro - 4 mil pessoas, ao invés das duas mil originalmente esperadas.

Não poderia ser diferente: trata-se de uma candidatura ungida pelo povo e para o bem do povo concebida. Destarte, o evento de lançamento só poderia ser em um verdadeiro ponto de encontro da gente simples de São Paulo: o Palácio dos Bandeirantes.

No discurso, aliás, a mais célebre cria política da Móoca fez questão de frisar que seu mandato foi popular (quase tão popular quanto Hebe Camargo e Adriane Galisteu, duas filósofas pós-estruturalistas do mesmo bairro). Governos do PSDB são assim: o povo é invocado a todo momento, e não apenas às vésperas de eleições.

Estupefata ante a surpreendente revelação de que Serra quer se eleger presidente em outubro – notícia que, como disse minha avó, “pegou todo mundo de calça curta” -, o petit-comité, quer dizer, a entusiasmada multidão, ouviu o predestinado líder exaltar suas muitas obras e realizações.

Porém, num gesto que demonstra a humildade sem par que sempre caracterizou o venturoso bandeirante, Serra preferiu deixar de mencionar obras em que muito investiu, mas que foram lamentavelmente prejudicadas pela natureza indomável desta cidade-selva, em que a terra engole metrôs e vigas de rodoaneis, enquanto a chuva castiga sem dó, a tudo inundando e tornando nulos todos os esforços dos mandatários para proporcionar bem-estar ao povo que amam.

Mas o momento que realmente a todos comoveu foi quando o ínclito político sublinhou que seu governo foi limpo como véu de noiva lavado com Omo, relembrando, para júbilo geral, que não foram publicadas denúncias de corrupção.

Não poderia haver verdade mais cristalina. Preocupados em fazer jornalismo de qualidade e fornecer uma visão crítica e justa - seja das administrações petistas, seja das peessedebistas, ambas tratadas com o mesmo rigor - a mídia em geral nada publicou que desabone Serra e seu secretariado.

Tal papel, típico da imprensa marrom, ficou para os blogues – que, como sabemos, não são confiáveis (afinal, quem está por trás deles?, costuma perguntar minha tia). Ademais, ao contrário da plateia que foi saudar Serra, eles são amestrados. E a um ponto tal que teve gente que ousou sugerir que a Secretaria de Educação, comandada pelo galã tucano Paulo Renato de Souza, seria um foco de negócios suspeitos da administração tucana.

Ora, façam-me um favor! Há um limite para se denegrir a honra alheia com falsas acusações. Esses blogueiros porra-loucas deveriam se inspirar em tradicionais órgãos de imprensa como a Folha, o Globo e, notadamente, a Veja, que só publica acusações na capa após checá-las com rigor. Do contrário, será preciso calar a blogosfera. Tenho dito!



Este post é dedicado aos ilibados professores Hariovaldo de Almeida Prado e Temístocles Sabóia Filho, que são a prova viva de que nem todos os blogueiros vivem do ouro da Albânia.


(Imagem retirada daqui)

5 comentários:

Silvana disse...

Que bela homenagem ao Prof. Hariovaldo neste PRIMEIRO DE ABRIL, ele deve estar orgulhoso de um pupilo tão aplicado! XD

Agora, fala sério: esta foto do Serra com a própria sombra fazendo chifrinhos nele foi escolhida a dedo, né?

Maurício Caleiro disse...

Ra, ra, ra, você é uma profissional da imagem mesmo: presta a devida atenção às fotos!

Diego Viana disse...

O resumo é extraordinário. Gostei em particular do segundo parágrafo, uma pérola!

iaiá disse...

sublime! a foto então...
tirou na hora de cantar parabéns e cortar o bolo cazamiga? :-P

Provos Brasil disse...

Essa foto é muito reveladora!