sábado, 4 de setembro de 2010

No Rio, emocionante disputa pelo Senado

A manutenção da grande distância que separa Dilma Rousseff (PT/RS) de José Serra (PSDB/SP) tem feito com que muitos analistas priorizem o exame das disputas estaduais, em detrimento do foco amplamente concentrado nas eleições presidenciais, usual no Brasil.

Com a inexplicável reticência dos paulistas em por fim aos desgovernos tucanos, Minas Gerais se converte no centro da atenção dos analistas políticos. O estado, tanto devido à acirrada disputa entre Hélio Costa (PMDB) e Antonio Anastasia (PSDB) – este o protagonista da primeira virada espetacular dessas eleições, ainda que com sua legitimidade contestada – quanto, sobretudo, por ser o domicílio eleitoral do tucano Aécio Neves, praticamente eleito para o Senado, de onde, com a eventual vitória petista, deve procurar se credenciar como o candidato da oposição em 2014.


Mudanças aceleradas
No entanto, se ao invés de pensarmos a médio prazo priorizarmos a análise dos cenários que se nos apresentam a partir do pleito em curso, será preciso dispensar maior atenção ao Rio de Janeiro, mais especificamente à disputa das eleições para o Senado.

Embora o atual governador Sergio Cabral (PMDB) deva se reeleger com folga, pondo fim às aspirações executivas do excessivamente volúvel Fernando Gabeira (PV), a disputa pelas duas vagas legislativas vinha sendo liderada com uma certa folga por Marcelo Crivela (PRB) e pelo ex-prefeito Cesar Maia (DEM), com o candidato petista Lindbergh Farias amargando, a uma boa distância, a terceira colocação.

No entanto, a última pesquisa Ibope, divulgada na terça-feira (03/09), sugere uma rápida mudança de cenário: enquanto Crivella amplia a distância em relação a seus concorrentes, chegando a 34%, Lindbergh se aproxima de Maia de forma acelerada: o demo caiu de 33% para 30%, enquanto o ex-prefeito de Nova Iguaçu subiu de 24% para 28%. Ou seja, dois pontos os separam.

Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos, pode-se falar que todos os candidatos estejam em situação de empate técnico – embora a experiência histórica tenha mostrado a inexatidão por demais elástica de tal conceito.


O papel de Maia
A eventual eleição de Lindbergh tende a ser muito importante – menos pela presença do jovem político no Senado e mais por evitar um osso duro de roer para o eventual governo Dilma. Com efeito, parece não haver duvidas de que César Maia não só passaria a ser uma das vozes recorrentes da oposição nos noticiários globais – a exemplo do que foram Álvaro Dias, Arthur Virgílio e Raul Jungmann -, mas que desempenharia o papel de maneira menos obtusa e potencialmente mais danosa.
Tal impressão se deve a três fatores:

1) Se Maia, como governante, produzia factóides em profusão, desconcertando imprensa e os cidadãos a um ponto tal que ninguém sabia dizer, com certeza, o que era fato e o que não, imagine o que faria na oposição...;
2) Ele teria como parceiro privilegiado o filho Rodrigo, menos hábil do que o pai mas com bom trânsito com líderes oposicionistas. O grau de confiança entre pai e filho – irreproduzível nas relações políticas convencionais – poderia dar margem a toda sorte de armações contra o governo Dillma;
3) Colunistas políticos de diversas tendências - e mesmo seus opositores - reconhecem que Maia não só é um hábil analista político como sabe manipular a imprensa. A repercussão de seu “ex-blog” é prova patente de tais “qualidades”.


Oposição encolhe
Assim, se consolidadas como tendências eleitorais, as novidades trazidas pela recente pesquisa Ibope podem significar não apenas uma vitória partidária regional, mas se transformar em mais um elemento facilitador para a eventual gestão petista – e, em decorrência e de forma mais aguda, em mais um dos muitos fatores de constrangimento e de preocupação para uma oposição que, projeta-se, tende a encolher significativamente após o pleito.

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