quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eleições: redes sociais dão mostras de saturação

Torna-se cada vez mais notório, nas redes sociais da internet, o quanto as atuais eleições vêm se tornando um fator de fastio e de monotonia para muitos. Há meses já se ouvia queixas nesse sentido, mas ultimamente até pessoas que acompanham o cenário político e gostam de discutir o tema têm reclamado.

De maneira ainda mais intensa e polarizada do que acontece com fenômenos como a repercussão do Big Brother Brasil – que a tantos, incluindo este blogueiro, agasta -, o efeito multiplicador de blogues e Twitter, somado ao caráter contínuo e incessante do fluxo de mensagens na rede, tende a levar o tema eleições à saturação – para o que muito contribui o longo tempo de campanha, que na internet começou, de fato, há meses.

Fazer tal constatação não significa desmerecer ou diminuir a importância da militância virtual, nem deixar de ressaltar que – ao contrário do que afirma o trololó serrista de “blogs sujos financiados pelo governo” – trata-se de um fenômeno largamente espontâneo.

Pelo contrário: é justamente a preocupação com o caráter politicamente alienador do fenômeno que se intenta ressaltar – pois se o objetivo da militância é justamente amealhar atenção, simpatia e votos para o seu candidato mas o resultado é, para muitos, o tédio e o “não agüento mais isso” é porque a ação virtual-eleitoral, dada sua virulência e onipresença, está resultando, ao menos em parte, contraproducente.

Desnecessário, no âmbito da abordagem aqui desenvolvida, assinalar que ao menos parcialmente tal efeito se liga ao alheamento de setores da sociedade em relação à política. Ainda assim, para ao menos amenizá-lo seria talvez recomendável que à ininterrupta postagem de dados, especulações e análises a favor ou contra os candidatos não apenas correspondesse um incremento do nível e da diversidade de abordagens acerca das ilações entre candidaturas e futuro do país, mas que fosse dirimida a impressão, generalizada nesses setores enfastiados com as eleições na internet, de que o bombardeio de mensagens de cunho político-eleitoral está tomando lugar de algo muito mais atraente e prazeroso, que vou chamar de fluxo de conteúdos culturais, com a cultura entendida aqui em sua acepção ampla.

Trata-se, portanto, de uma questão complexa, cujo melhor equacionamento passa não apenas pelo incremento das práticas comunicacionais nas redes virtuais e por um maior interesse social na política – duas mudanças em relação às quais não há garantias efetivas de que um dia virão a ocorrer -, mas por uma calibragem no próprio conceito de utilização da web para fins eleitorais, seja a partir de uma perspectiva institucional ou individual.

Uma coisa é certa: se muitos não agüentam mais o excesso de retórica vazia e de belicismo de baixo nível verificável nas hostes virtuais/eleitorais, a própria onipresença das eleições como tema cotidiano - com frequência vivenciado como se de torcidas arquivais em jogo de futebol se tratasse – é, para outros tantos, motivo de exasperação. Não me parece correto culpá-los por isso.

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