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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

De volta

Como os frequentadores certamente notaram, o blog diminuiu muito o ritmo recentemente (pela primeira vez, ficamos mais de uma semana sem postar). Isso se deveu a três fatores:

1) Fui surpreendido por uma das mais irritantes pequenas tragédias que acometem o ser humano contemporâneo: a perda total do HD de seu computador pessoal. Havia, é claro, um backup, mas ele stava - como sói acontecer com os backups - defasado e não continha os posts que eu deixara quase pronto para abastecer o blog durante as férias;

2) Por falar em férias, estas são a segunda razão da paralisia do blog. Não foram, é verdade, férias com F maiúsculo, mas, aproveitando 2 dias na Bahia para um congresso, sete dias de folga encaixados antes e depois do dito. Ainda assim, o post sobre o jornalismo da Globo News foi produzido numa Lan Hause (com “a” mesmo!) na Chapada Diamantina – um super lugar, um oásis em pleno semi-árido, que mostra o quanto a natureza brasileira pode ser surpreendente.

Recomendo a todos, desde que evitem as agências (que agem como cartel) e seus pacotes que promovem maratonas apressadas entre uma beleza natural e outra e optem pelo slow tourism, contratando, se necessário, os mais eficientes e simpáticos (além de muito mais baratos) guias independentes. Afinal, não faz sentido conhecer uma cachoeira deslumbrante no interior de uma reserva natural baiana se não podemos passar um bom par de horas imerso em suas águas, não é mesmo?

3)E das férias decorre ainda o terceiro fator de semi-paralisia do blog: ao voltar, o acúmulo de trabalhos era tal que foi impossível dar conta de tudo e ainda manter-me ativo na blogosfera.

De qualquer modo, estamos de volta - o blog e eu -, um tanto perplexos com a patética tentativa de, após pesquisar bastante a agenda da moça, ressuscitar o “caso” (êpa) Lina-Dilma e com os esforços da “grande mídia” para culpar o governo federal pelo que a imprensa chama de “crise de violência no Rio” (e que não é nem a primeira nem a segunda nem a última, pois trata-se tão-somente das consequências de uma política de segurança pública equivocada e executada por forças policiais despreparadas para tal, que contam ainda com o álibi do combate ao tráfico como uma desculpa para toda transgressão da lei e abuso cometido contra cidadãos inocentes, porém pobres). Em trecho de um artigo acadêmico escrito em 2000 eu comento o processo:

“Vive-se atualmente, em relação às drogas, no país, uma situação à beira do pânico, de iminente e explosiva irrupção social, uma urgência de crise açulada pelo noticiário sensacionalista sobre violência: fala-se em 'guerra civil', em 'inescrutável poder do tráfico', confunde-se pobreza e marginalidade. Insiste-se muito em repressão e muito pouco em políticas conjunturais efetivas.

Como enfatiza Marilena Chaui: 'Esse horror à realidade das contradições se exprime no modo como a classe dominante brasileira elabora as situações de crise. Uma crise nunca é entendida como resultado de contradições latentes que se tornam manifestas pelo processo histórico e que precisam ser trabalhadas social e politicamente. A crise é sempre convertida no fantasma da crise, irrupção inexplicável e repentina da irracionalidade, ameaçando a ordem social e política. Caos. Perigo' (Conformismo e resistência - Aspectos da Cultura Popular no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 60)".

De qualquer forma, o blog retorna, a partir de hoje, à atividade normal. Em breve postarei um texto, de tom algo saudosista (that's the mood that I'm in...), sobre aquela que foi a maior manifestação pública que os de minha geração tiveram a oportunidade de presenciar: os comícios gigantescos pelas Diretas-Já.

2 comentários:

iaiá disse...

pacotees de viagem. i hate it. sem comentários. vc fez o melhor.
já perdi um back up. pq tecnologia e eu temos divergências físicas.
e diretas já eu era criança, mas bati muiat panela de camistea amarela e lembro de comícios aqui no planalto central. aguardo o post. bjs

Maurício Caleiro disse...

Valeu, moça da boca linda!