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sexta-feira, 15 de maio de 2009

O moribundo e o furibundo

Enquanto me recupero de uma gripe demolidora [mas pode ler o blog sem medo de contágio: não é a suína], alguns breves comentários sobre o pouco que tive disposição para ler esses dias – só para mostrar que o blog continua vivo, ainda que o blogueiro nem tanto (embora, como diria Mark Twain, as notícias sobre a minha morte tenham sido bastante exageradas...).

É preocupante a aprovação, pelo senado francês, de uma legislação draconiana para a Internet. Duvido muitíssimo que seja bem-sucedida pois, como o demonstram o artigo mais lido do Le Monde de ontem (14/05) e um número incalculável de posts na Internet, há mil formas de burlar a “Hapodi”(como chamam a lei), e a ocupação número um de muitos internautas pelo mundo hoje em dia é fazer o possível para que os franceses conheçam todas elas. Isso posto, não deixa de ser um péssimo sinal que um país com as (vá lá) tradições democráticas e o poder de influência da França dê tal mau exemplo para o mundo. “Dá idéia”, como se diz na gíria. Espero e acredito que vá ser um retumbante fracasso.

De qualquer modo, a nova lei fornece – ao lado das reformas propostas pelo onipresente Sarkozy para a saúde e para a educação - mais uma evidência das reais intenções do atual governante francês, que, após um primoroso trabalho inicial de marketing – que o vendeu como um boa-praça equilibrado, para o que muito colaborou o casamento com a sensível e bela Carla Bruni - diz realmente a que veio. A esquerda francesa - ou o que restou dela - precisa urgentemente se unir e reagir.

2 comentários:

Hugo Albuquerque disse...

Maurício,

Alvíceras! Já estava preocupado com o amigo devido ao tempo sem postar nada.

Quanto ao Sarkozy, trata-se de um sujeito repugnante, um verdadeiro populista que expressa a decadência da política francesa - e quem sabe europeia - dos últimos anos vinte anos.

Digamos, que Sarkô está para a direita europeia como Blair está para a esquerda (?!); são duas figuras pretensiosas e limitadas que querem, a todo custo, entrar para a História como os estadistas que nunca serão.

O Presidente francês é aquele mesmo cidadão que anos atrás, quando era Ministro do Interior, chamou os imigrantes que se revoltavam pela França de recaille - um arcaísmo equivalente a "gentalha", talvez, "escumalha".

Claro, o nobre ministro esqueceu-se do fato de que era filho de pai húngaro e mãe de família judia grega. Sarkô passou os dois ou três anos finais do governo Chirac conchavando em meio a uma administração fracassada e um sistema político partidário em frangalhos. Elegeu-se porque soube se colocar numa posição eleitoralmente conveniente: Aquele espacinho entre a centro-direita de Chirac e a extrema-direita de um Le Pen.

Em suma, Sarkô vestiu a máscara que os franceses queriam; a do tradicional nacionalista francês très chic só que com uma pitadinha reacionária.

Votar em Sarkô em detrimento de Le Pen É mais ou menos como votar em Kassab no lugar de Maluf. É um jeito de eleger um sujeito que faz o mesmo só que de maneira discreta.

Indo adiante, não é só a política para Internet de Sarkozy que preocupa; a política para o ensino superior também é um desgraça e já provocou uma confusão danada em Sorbonne. A política econômica então, nem se fala, é um fracasso.

Muito do que eu vejo, hoje, na França é um reflexo do que pode ser um governo tucano com um Serra, por exemplo. Enfim, a França vai mal mesmo.

Maurício Caleiro disse...

Hugo,
Concordo inteiramente com a sua comparação entre a França de Sarkô e um eventual Brasil com Serra. A propósito, não é à toa que o AI-5 da internet é de autoria de um senador tucano...

Eu estou muito preocupado com a França com Sarkozy, sinceramente.
O mais triste é que eu estava lá durante a última campanha eleitoral e posso afirmar que a Ségolène Royal só perdeu a eleição por incompetência própria e pela divisão que provocou na esquerda. Teve a eleição nas mãos e deixou escapar. Uma pena, realmente.