terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Grazie mille, Ettore!

 
 Morreu hoje, em Roma, Ettore Scola, um dos mais longevos e ecléticos cineastas italianos. Tinha 84 anos, 61 dos quais dedicados ao cinema.

Deixa-nos belos filmes, como “O Baile” (1983), em que conta a história do século XX sem diálogos, só com música e dança; “Um dia muito especial” (1977), então ousada incursão na temática dos gêneros sexuais, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni, este no papel de um gay, no dia da visita de Hitler a Roma; além do maravilhoso "Nós que nos amávamos tanto” (1974), sua obra-prima, retrato de uma Itália – e de uma esquerda – que desapareceu no tempo.

Muito versátil, deixa sua marca em comédias ("Ciúme à italiana”, o corrosivo “Feios, sujos e Malvados”), documentários (“Cartas da Palestina”, “O adeus a Enrico Berlinguer”), dramas (“A família”, “Splendor”), filmes de época (“Casanova e a Revolução”, “A viagem do Capitão Tornado”). 

Mas sua marca registrada talvez seja o equilíbrio entre o dramático e o cômico, de um modo tal que este não se mostr ainoportuno ou se choca com aquele, antes instensificando-lhe os efeitos.

Em seu tempo, o reconhecimento de seu talento foi um tanto obscurecido por uma questão geracional, precedido que foi pelos revolucionários do Neorrealismo Italiano e pelo gênio histriônico de Fellini, a quem homenageia em seu último filme (“Que estranho chamar-se Federico”, realizado em 2013 em conjunto com suas filhas Paola e Silvia).

Mas a revisão de seus filmes revela – ou confirma – um realizador com grande sensibilidade e esmero, um notável diretor de atores e um roteirista perspicaz e ideologicamente coeso – caractrerística esta que, nesta era de crise de ideologias, torna a revisão de sua obra particularmente atraente.

Ao contrário de seus contemporâneos na crítica, a história há de reconhecê-lo como um grande entre os grandes do então grande cinema italiano.


(Fotos retiradas, respectivamente, dali, de lá e dacolá)

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