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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Os Tweets Secretos da República

Num grande esforço de reportagem, e apelando a escutas, grampos e demais métodos diletos das grandes revistas brasileiras, trazemos aos leitores do blog, em primeira mão:

OS TWEETS SECRETOS da REPÚBLICA:

De @sir.ney para @PIG:
Caros amigos da imprensa, sou duro na queda. Vingança, diz o senso popular, é prato que se come frio. Perguntem a Jackson. Abraços fraternos

De@Lula para @sir.ney
Meu caro, nunca antes neste país a mídia encheu tanto o saco. O PT só faz gol contra. Tive q sair no pau pra vc ficar. Assim, só tomano uma.

De @tavinho para @OBAN
Precisamos de algo mais pesado. Ficha policial falsa não surtiu efeito. Lembrem a dívida conosco por conta do empréstimo das peruas. Anauê.

De@gabeiraba para @otarios
Acho q vou pegar em armas ou fumar um ou vestir sunguinha; entrar pro PT ou pro PV? Já sei: virar neoudenista, pró-PSDB e ser capa da Veja!

De @Paulo__Francis para @pessoal.da.óia
Waaal, esses meninos bem que tentam me imitar, mas falta estofo. Terceiro time. Assim, o barbudo e a Petrossauro nos levam ao séc. XIX. Pfui

De @zexirico para @boca.de.suvaco
Tudo certo, Fernando. Marina caiu como patinho. Ciro vai no mesmo caminho. É só manter contentes nossos amigos na mídia que vêm aí mais escândalos.

De @Suplicio para @alx.garcia
Eu apoio o PT, mas voto c/ o DEM. Eu apoio o PT, mas PSDB tem razão. Eu apoio o PT, mas Sarney deve sair. The answer is blowin’ in the wind

De @danussa para @empregada.da.danussa
Traz papel. Não é esse, sua burra, é o do saquinho. Agora vai fazer jantar, imbecil, tenho q escrever 1 coluna sobre Dilma, aquela grossa.

De @a.kamelo para @d.magnolio
Falei praquele crioulo metido q no Brasil não tem racismo, mas o burro do preto não concorda. Mandei embora: comigo, só preto de alma branca

De @povo.de.sp para @casab.y.cerra
Bate + q eu gosto, maltrata. Faz como fez na USP. Aumenta mais o pedágio. Proíbe não só de fumar, mas de beber e até de respirar. Delícia!!!


(Imagem retirada daqui)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Caso Sarney: Tríplice Tragédia

(imagem retirada daqui)

O nome José Sarney está associado a práticas políticas retrógradas e a uma trajetória pública questionável, a começar do apoio dado à ditadura militar. Tornado presidente por mero acaso, seu governo foi marcado pela corrupção, com a relação do Planalto com o Congresso sendo chamada de “balcão de negócios”; pelo populismo econômico do “Plano Cruzado”, que levou a classe média ao paraíso enquanto o truque durou, para em seguida remetê-la a uma longa temporada no inferno; e pela pior das muitas crises inflacionárias do país, em que os índices mensais chegaram à casa das centenas. A crônica musical do período – no Brasil quase sempre o melhor termômetro do humor popular -, a cargo do grupo Exporta Samba, resume a bandalheira (“Se gritar pega ladrão/Não fica um, meu irmão”).

O Maranhão, que ele governa há quase meio século (in persona ou por prepostos), com um poder que se estende ao Judiciário e depõe governadores eleitos, é hoje, a despeito de seu tamanho e abundância de riquezas naturais, a mais miserável das unidades federativas do país. Num acinte à ética eleitoral, candidatou-se pelo Amapá quando viu que seria rejeitado pelo voto na sua capitania hereditária maranhense. Morto ACM, Sarney é hoje a imagem escarrada do coronelismo. Eis a tragédia número um.

Dada a folha corrida do autor de Marimbondos de Fogo, é de causar espanto que, de repente e só a partir do momento em que Sarney assume a presidência do Senado, a mídia e a oposição – que no Brasil atual por vezes se confundem - passem a associá-lo, diariamente, a uma sequência aparentemente interminável de falcatruas. A mais escandalosa delas – os inacreditáveis “atos secretos” do Senado, que distribuíram cargos a granel sem notificar a sociedade de tal decisão – vem, como até o jornal O Globo de hoje reconhece, ocorrendo há anos e, no entanto, não se tem a oportunidade de ver congressistas demo-tucanos ou jornalistas acusando presidentes anteriores da casa, mesmo porque alguns deles eram da oposição.

Oposição esta que, representada por figuras que a cada dia se tornam mais fanfarrônicas – como Arthur Virgílio, Álvaro Dias e Raul Jungman – não demonstra o mínimo pudor em adotar um moralismo raso e falso, pois aplicável apenas às forças políticas às quais se opõem, nunca às condutas dos membros dos partidos que, para desalento da sociedade, representam.

Nem a velhinha de Taubaté acreditaria que tais figuras ajam por amor à ética, mas sim pela mais cruenta guerra política. Aliás, um dado essencial do caso ao qual não tem sido dada a devida atenção é que a eventual remoção de Sarney da presidência do Senado poria esta no colo de Marconi Perillo, membro do coronelato peessedebista goiano e inimigo do Planalto. Por todas essas razões, eis porque, apesar da gravidade das denúncias, se trata, de fato, de denuncismo. Essa atuação do conluio mídia-oposição compõe a segunda parte da tragédia.

Para completar a ópera-bufa, o presidente Lula, sempre tão cioso em conservar a blindagem pessoal e manter-se afastado dos membros de sua aliança acusados de corrupção, vem a público afirmar que “Sarney tem história suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”. E eu que pensava que, segundo a Constituição do país que Lula governa, todos os cidadãos fossem iguais perante a lei...

O blog do Mello aventa a possibilidade de José Serra estar por trás da perseguição denuncista a Sarney. Afinal, costuma-se debitar na conta do governador paulista a operação da Polícia Federal que, em 2001, retirou a filha do senador, a então candidata presidencial Roseana Sarney (atual governadora não-eleita do Maranhão) do páreo. Ora, mas o presidente Lula, com toda sua louvada sapiência política, ao firmar aliança com a ala do PMDB comandada por Sarney, não sabia dos humores figadais que opõem o truculento bandeirante e o coronel maranhense? Exímio enxadrista que já demonstrou ser, não foi capaz de prever desenrolar tão evidente do jogo político?

Esse é o tipo de episódio em que nenhum lado tem razão, a despeito dos esforços argumentativos dos detratores do governo Lula e de seus apoiadores - alguns dos quais teimam na tática eticamente inaceitável de minimizar atos de corrupção. Sarney, pelas práticas a ele associadas, por tudo o que representa e, sobretudo, pela insensibilidade em não perceber que pertence ao passado e que está manchando de forma indelével sua própria biografia; a oposição e a mídia por apostarem, uma vez mais, num denuncismo histérico e “fulanizado” como forma de luta política, sem atacar as razões estruturais da corrupção; e, pairando acima de todos, o presidente Lula, não só pela realpolitik por demais elástica que pratica – e que junta no mesmo saco Sarney, Collor de Mello e Geddel Vieira Lima, entre outros -, mas por não preservar a Presidência, posando como defensor de práticas e figuras políticas que não coadunam com um regime verdadeiramente democrático nem com seu passado político. Esta, a terceira e última parte da tragédia.